“EU ODEIO CURRY” é a primeira frase que me vem a cabeça quando vejo o ingrediente em uma receita. Mas OK, eu me rendo! Vou escrever sobre o curry, SIM! Quem me fez mudar de ideia foi a Samantha L. (que coloca curry em TUDOOO). Com aquele carinha lindinha, ela prepara o melhor estrogonofe de pinhão de todos os mundos, e claro, ela coloca curry na receita – e na salada, na sopa, talvez até no feijão! No fim das contas, já associei o sabor do curry a alguns sabores caseiros da infância e estou quase me apaixonando pelo cafajeste metido a conquistador. Vamos ver o que ele tem a contar aqui no 30 dias, 30 ingredientes.
O curry é uma mistura de especiarias muito utilizada na culinária de países como Índia, Tailândia, Japão e outros países asiáticos. Também chamando de “pó-de-caril”, é feito à base de pó de açafrão-da-terra, cardamomo, coentro, gengibre, cominho, casca de noz-moscada, cravinho, pimenta e canela. Para além destes ingredientes básicos, outros são incluídos, de acordo com as preferências: alforva, pimenta-de-caiena, cominhos finos, noz-moscada, pimenta-da-jamaica, pimentão e alecrim, entre outros
O pó ou a pasta pronta servem como base para um caldo perfumado, eis o princípio do curry – o nome, aliás, nasceu bem depois da receita, quando os ingleses chegaram à Índia, se encantaram com a mistura de temperos e especiarias que chamaram de curry – a palavra vem de kari, termo da língua tâmil para caldo temperado. Os portugueses chamam o tempero de caril e o preparam desde o século 16, com registro em livro de receitas da época.
Na Índia, cada família tem a sua receita de garam masala – termo que quer dizer “mistura de especiarias picante” e está na base da cozinha do país. O caldo picante criado na Índia há 4 mil anos é o ancestral de todas as outras versões de curry, inclusive da mais difundida, o pó amarelo industrializado criado pelos ingleses e levado à Índia apenas no final do século 18.
Original da Índia, onde tem raízes milenares, o curry se desdobrou em três correntes principais de preparo: indiana, tailandesa e japonesa. Em comum, as três compartilham as listas de ingredientes aromáticos triturados até que se transformem em pó ou pasta. As diferenças estão no equilíbrio de sabor, que puxa mais para um lado (nos tailandeses, o frescor do limão e do capim santo), ou outro (no japonês, mais doçura, com a inclusão de frutas e pó de cacau).
E o que define um bom curry? Para Gaggan Anand, considerado o melhor chef da Ásia, são três pontos: Um: tem que ser fresco, preparado na hora. Dois: deve ser leve. Não pode ser muito opulento. Três: tem de fazer você se sentir em casa, curry é comfort food.
O curry mais tradicional é servido com arroz, mas é usado também para cozinhar vegetais ou carnes ou ainda ser servido como molho para a comida já pronta; e derramado sobre a carne, como no karê japonês, ou sobre o macarrão cozido, como é costume tailandês.
Não, aqui em casa ele não vai morar! Teremos um caso de amor sem compromisso. Quando EU QUISER, ligo e peço um prato com curry. Não passará disso, eu garanto! =P
Beijos da Nice
Fonte: PALADAR, Estadão

